Dilemas do advogado que precisa ser gestor e do escritório que precisa ser negócio
13/10/2014
Por: Marisa Golin da Cunha



Um escritório de advocacia, para ter sucesso e se manter no mercado, requer um malabarismo com os elementos que devem ser geridos por seus sócios. Esse equilibrismo deve se dar entre as finanças, o administrativo, as pessoas, o jurídico, os controles processuais, a informática, a concorrência, os preços e entre tantos outros aspectos que interferem nos resultados de um negócio.

Os sócios de um escritório de advocacia, entretanto, têm a sua técnica voltada para outro enfoque, diferente da gestão empresarial. Isto porque o bacharel em Direito, quando conclui sua formação na Faculdade, não teve acesso a disciplinas formais que lhe oportunizasse acesso ao gerenciamento de seu próprio negócio, tais como: Gestão de Pessoas, Gestão de Cliente e Gestão Financeira.

É importante que se faça, então, a distinção entre o advogado proprietário do escritório e aquele especialista que vai gerir o escritório. E ambas as competências dificilmente são encontradas em um mesmo profissional.

O proprietário do escritório, em geral, é o profissional que detém o conhecimento do Direito, além de capacidade, habilidade e entendimento para o processo jurídico. Por isso precisa dedicar o seu tempo para o negócio, captando e fidelizando seus clientes, amparado no seu conhecimento jurídico.

Já o gestor do escritório poderá, ou não, ser o proprietário do escritório. Se não o for, será escolhido por este para gerir os seus negócios. O gestor deve ser um profissional com perfil de liderança e forte capacidade de agregação, porque terá que trabalhar como o elo entre os diversos setores do escritório, desde a equipe de atividade fim do negócio (os advogados) até os de suporte operacional (paralegais, financeiro, TI, administrativo e demais). Assim, deve ser um profissional com habilidade de gerar confiança e estabelecer alianças. E, além do perfil agregador, é imprescindível que detenha conhecimento técnico de gestão administrativa e financeira.

Ser dono de um escritório de advocacia, assim, significa saber que precisará delegar competências para profissionais que lhe auxiliem e apoiem em outros campos de conhecimentos diferentes da área jurídica. A multidisciplinaridade de profissionais em suas áreas específicas de atuação, na condução de um negócio, permite que a estrutura para a tomada de decisões possa ser mais ágil. O resultado para o escritório será uma retaguarda de apoio mais sólida, com o objeto principal do negócio, a advocacia, otimizada e valorizada.

Fonte: R7